“— Mas e a gente, como é que fica?
— Não me vem com essa não, eu nunca disse que te amava, nem nada do tipo.
— Mas você ama, e você sabe que eu sei que você ama. Você ama porque quando eu te abraço consigo ouvir você suspirando e dizendo baixinho “que saudade”. Porque naquele dia que eu dormi na sua casa, escondido da sua mãe, você me fez sair no frio no meio da madrugada e deixar a minha camisa lá, só pra quando você acordar ter meu cheiro ali. Isso não é amor?
— Não, não é amor. Eu nunca amaria alguém como você. Você passa dias sem me ligar, você me ignora, grita comigo. Você muda de assunto quando não sabe o que falar, você acha que a porra do sexo é tudo, você não se importa. Você vai, quando eu te mando ir, você vai quando eu te imploro pra ficar, você vai quando eu não digo nada. Você simplesmente se vai, o tempo todo. Isso não é amor.
— Pra começo de conversa, para de chorar. Para, tá. Quando você chora eu consigo ver essa minha cara de idiota refletida nos teus olhos. Essa minha cara de cachorro perdido, esquecido, implorando pra você por uma coleira e me levar pra passear junto com você. É amor sim, é amor porque… Porque não tem um porque. E só assim pode ser amor. Porque essa sua cara de brava me da um tesão do caralho, porque eu adoro o som de você batendo o pé quando ta nervosa, gosto dessa sua mania de morder os lábios o tempo todo, gosto quando a sua bochecha cora e você fica sem graça, dai ri desse jeitinho ai e desfaz a cara linda de brava pra ficar com essa cara ainda mais linda de quem ama um idiota.
— Idiota.
— Eu também amo você.”